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Por todo o mundo, os cientistas têm encontrado vestígios de medicamentos e de substâncias biologicamente activas no meio ambiente. Estes produtos chegaram lá depois de terem sido ingeridos pelos doentes e excretados para os esgotos ou porque foram deitados ao lixo.

Se pensarmos que só em Portugal estão à venda cerca de 3.000 medicamentos diferentes podemos ter uma ideia da gravidade deste problema.

Já em 1999 a Agencia de Protecção do Ambiente (Environmental Protection Agency – EPA), dos EUA, numa pesquisa efectuada em 139 rios do pais detectou a presença de vestígios de medicamentos em 80% das amostras recolhidas. Os medicamentos detectados com mais frequência são analgésicos, hormonas, medicamentos para a hipertensão arterial e antibióticos.

As quantidades ínfimas destes produtos detectados na água só por si parecem não ter efeito nocivo imediato sobre os seres humanos. Contudo nada se sabe acerca dos efeitos de uma exposição alargada e continuada a estas pequenas doses de medicamentos. Hal Zenick, o responsável do centro de investigação da EPA, é muito claro quando afirma que há dúvidas legítimas sobre os riscos deste problema para os humanos.

Por outro lado é sabido que estas doses vestigiais de medicamentos podem ser concentradas nos órgãos dos animais, como no fígado e rins dos peixes, e chegarem depois, por esta via, à nossa alimentação com potenciais perigos para a saúde.

O mesmo se poderia dizer sobre a saúde de outros animais que poderão sofrer as consequências trágicas desta poluição medicamentosa que a EPA designa por contaminantes emergentes.

É portanto vital para a nossa saúde e para o planeta que saibamos consumir bem os medicamentos. Todos os que precisarmos, mas nada mais do que precisamos. Ainda, devemos ser cautelosos no modo como eliminamos os medicamentos que sobram de forma a não contribuirmos para agravar uma situação que a todos os títulos nos parece bastante delicada.